Não dá para dissociar profissionais inovadores de empresas inovadoras, e vamos explicar porque isto acontece…

Examinando as mais recentes listas das empresas mais inovadoras do mundo em 2016 vamos verificar que na sua grande maioria são americanas e de natureza tecnológica…

Infelizmente não aparecemos nestas pesquisas que além dos EUA contemplam empresas asiáticas, europeias e até fazendo bonito o Chile, representante isolado da nossa querida e sofrida América Latina…

No ranking local, entre as consideradas mais inovadoras no Brasil, despontam além do varejo as instituições bancárias, criadas no século passado e que não representam o topo do cenário empresarial do século pós-moderno…

A verdade é que o Brasil perdeu o trem na área da tecnologia embora surjam boas iniciativas digitais nos segmentos de desenvolvimento social e áreas afins…

De qualquer forma precisamos entender um pouco sobre esta realidade mundial, esta tendência global, pois mesmo com atraso precisamos nos inserir nos mercados internacionais sob pena de vermos nossa economia mais estagnada ainda…

O certo é que as empresas que mais se destacam em inovação são justamente aquelas que conseguiram mesclar estratégia inovadora com a sua cultura dominante, criando espaço para o talento, para a criatividade, mas sem abrir mão dos profissionais dedicados, bons de execução e que “carregam o piano” no dia a dia…

É preciso entender que inovar é diferente de inventar!

Não basta ser um “professor Pardal da vida” para se tornar um profissional inovador, pois este tem que garantir boas entregas, bons resultados naquilo que cria…

Da mesma forma não basta só ter um MBA, falar fluentemente inglês ou ostentar outros títulos acadêmicos, pois há algum tempo as empresas têm outras exigências para contratar bons profissionais…

O perfil deste profissional do século 21 exige flexibilidade, trabalho em equipe, capacidade de aprimorar o que já está funcionado e ter desenvolvido um novo olhar para os negócios e para as pessoas…

Por isso esses talentos não encontram ambiente na maioria das empresas tradicionais e a tendência é buscarem um novo caminho, abrindo o próprio negócio, tornando-se empreendedores ainda muito jovens…

A evolução humana, econômica e social passou por diversas etapas marcadas por revoluções significativas como a Francesa, a Industrial e a de Produção em massa… Chegou agora o momento da já chamada quarta revolução que não se caracteriza apenas pelas novas tecnologias digitais, pela completa automatização dos parques industriais, mas principalmente por ser algo a ser feito por nós mesmos…

Nessa perspectiva o melhor emprego do futuro será aquele que nós mesmos iremos construir, será aquele que você conseguir criar…

Infelizmente nossas faculdades não estão preparando ainda nossos alunos para esta mudança radical no mercado, embora já existam algumas boas sinalizações e iniciativas neste sentido, pois o caminho é inevitável e irreversível…

Este novo profissional não deve como alguns pensam e defendem “largar a faculdade” por isso e “sair por aí empreendendo”… Ao contrário, devem estudar muito, ler bastante, e não se contentar apenas com o que está aprendendo na Academia, mas também procurar outras fontes como Internet, pesquisas correlatas, laboratórios, vídeos, revistas especializadas etc…

Embora a inovação tenha pressa o profissional tem que ter calma, ir passo a passo, não se precipitar que uma hora o sucesso vem com certeza!

O novo empreendedor do futuro não deve abandonar seus sonhos, aliás, deve fazer deles a razão de sua busca, de seus negócios, pois para ter sucesso é preciso fazer o que se ama…

O nosso jovem pós-moderno quer ser protagonista, quer ter horário flexível, quer ter autonomia, o que a maioria das empresas ainda não teve coragem de implantar…

O nosso próprio País, imerso neste eterno “Fla-Flu”, nesta troca de acusações, neste necessário período de “passar a limpo” a corrupção generalizada, ainda não oferece ambiente e nem tem um projeto de inovação como nação a oferecer aos nossos jovens, que quando podem vão residir no exterior para desenvolver seus talentos…

Mas existem exceções, existem ilhas de excelência que pouco a pouco emergem em meio a tanta resistência e dificuldade…

Precisamos ter esperança e fé em nosso País e principalmente em nossos jovens, reconhecendo seus talentos, incentivando suas ideias e valorizando suas iniciativas, revertendo esta mística de que “santo de casa não faz milagre”, de que é necessário ir para o exterior para fazer sucesso!

Leila Silveira | Psicóloga, Coordenadora do curso de Psicologia Funorte e Diretora da TransformaSH Ltda
Délcio Fortes | Engenheiro, Professor universitário e  Consultor/sócio da TransformaSH Ltda

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