O Posto Médico Legal de Montes Claros, em parceria com o Conselho Comunitário de Segurança Pública – CONSEP, Polícia Civil de Minas Gerais e três faculdades da cidade, inclusive a Funorte, teve todo seu espaço reformado. A obra, que foi executada em três etapas, foi inaugurada nesta quarta-feira, 12 de dezembro.

O Delegado Geral Chefe da Polícia Civil de Minas Gerais, João Octacílio Silva Neto e o Delegado Regional da Polícia Civil, Dr. Jurandir Rodrigues César Filho, realizaram inauguração da pedra fundamental durante a cerimônia de reinauguração do local. João Octacílio falou sobre a importância da reforma do espaço para atendimento da população. “Fico satisfeito de estar em Montes Claros para inaugurar o Posto Médico Legal. É muito bom para a sociedade da região porque traz dignidade ao trabalho dos médicos legistas e auxiliares de necropsia, que é fundamental para a Polícia Civil e um trabalho primordial para a Polícia Judiciária”, frisou.

O objetivo da reforma foi de garantir a qualidade do serviço prestado à população e oferecer um ambiente mais adequado de estudo para os acadêmicos. O investigador de Polícia Civil, Hélio Zeferino de Freitas Júnior, explica que a parceria com as instituições de ensino foram essenciais para a realização da obra. “A ideia da parceria surgiu em 2014 e foi concretizada por meio de contrato. Eu posso afirmar que, sem o apoio das faculdades, provavelmente nada teria sido feito ou não teríamos um resultado como o que tivemos. De certa forma, as faculdades, principalmente a Funorte, que foi a primeira que apostou na ideia, foram as principais responsáveis por esta melhoria”, destacou.

Já que a principal visão das faculdades é intensificar a prática dos estudantes, Hélio ressalta as atividades que eles podem realizar no local e como esta experiência irá contribuir para o desempenho acadêmico. “Os estudantes terão vínculo para fazer estágio e a prática vai colaborar muito com isto, por exemplo, existem muitos concursos em Medicina Legal e na área de análises para farmacêuticos e biólogos, e temos muitas pesquisas relacionadas. Então, é uma forma deles obterem um conhecimento maior, caso tenham interesse em atuar nesta área. Nós temos um amplo universo a ser explorado e estamos abertos para qualquer curso que se encaixe aqui”, frisou o investigador.

Atualmente, o local conta com seis investigadores de polícia e nove médicos legistas. Segundo Hélio, com o aumento de pesquisas, há a oportunidade de ampliar os cursos em que a atuação se enquadre na área. “Quanto mais mix de profissionais tivermos aqui, mais acadêmicos terão a oportunidade de uma experiência na área. Então é uma ideia muito legal, mas que inicialmente tem que ser amadurecida. Se for desenvolvida, vai agilizar muito o trabalho, pois o tempo que gastamos para mandar o material para BH e aguardar a análise, é algo que se for feito aqui, irá nos ajudar muito”, ponderou.

Hélio afirmou, ainda, que há uma grande demanda de atendimentos para vítimas de abuso sexual, violência da mulher, lesão corporal, entre outros; que é chamado de perícia do vivo. Segundo ele, a nova estrutura do local possibilitará uma humanização melhor do trabalho feito com estas pessoas. “Nossa ideia é fazer do Posto Médico Legal, uma instituição de saúde. Somos da segurança pública, mas temos de certa forma, uma responsabilidade com a saúde também. As pessoas não vêm procurando tratamento, mas podem ter um atendimento vinculado à saúde, pois somente 25% dos casos são de acidentes de vítimas violentas, suicídio e outros; o restante é o que chamamos de perícia do vivo e esta, é a parte que pretendemos humanizar. Logicamente, existe este cuidado também com a perícia do morto, pois trabalhamos com os familiares”.

Nos casos de perícia do vivo, os métodos que definem se a vítima deve ou não ser encaminhada ao Posto Médio Legal são analisados pelo delegado. O investigador explica como é feita a solicitação para que a vítima receba o atendimento. “A pessoa é atendida na delegacia; o delegado instaura o inquérito criminal e nele vai haver diversos procedimentos para verificar se houve lesão corporal, abuso sexual, etc. Ele faz um requerimento pedindo para o legista atuar”, frisou Hélio.

Durante a avaliação do legista, em casos de apoio psicológico, é onde o acadêmico pode atuar. Assim, o delegado Regional da Polícia Civil, Dr. Jurandir Rodrigues César Filho, ressalta quais benefícios a parceria trará, tanto para o trabalho dele quanto para a Funorte. “O maior benefício para nós será a possibilidade de ampliar o número de profissionais atuantes e, consequentemente, melhorar a qualidade na prestação de serviços. Já para os estudantes, será a oportunidade de aprofundar o conhecimento na área, inclusive pelo fato de acadêmicos de outros cursos como Fisioterapia, Administração, Serviço Social e outros, também terem oportunidade de fazer estágios”, ressaltou o delegado.

Segundo dados do Posto Médico Legal, foram expedidos um número de 5682 laudos entre os anos de 2016 e 2018. Para Jurandir, “esta reforma foi de extrema importância para o norte de Minas, pois a unidade atende a 23 municípios da 23ª Delegacia Regional de Montes Claros e 16 municípios da 4ª Delegacia Regional de Polícia Civil de Taiobeiras, que abrange a microrregião Alto Rio Pardo, inclusive Salinas, e, ainda, sempre que necessário, dá suporte e apoio à Delegacia de Pirapora. Também, é um polo para acadêmicos e, inclusive, esta obra somente foi possível com a ajuda de instituições de ensino superior como a Funorte, que propiciaram a construção de um ambiente mais humanizado”, concluiu o delegado.

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