Rodrigo Madeiro é biólogo graduado desde 2001, mestre em Morfologia e doutor em Bioquímica. Atua como Pesquisador do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino, no laboratório de células tronco e neurociência do instituto. Além disso, está ligado ao grupo de pesquisa liderado pelo professor Stevens Rehen, estudando as bases moleculares e celulares de doenças neuropsiquiátricas e também como agentes infecciosos como, por exemplo, o vírus Zika afeta o desenvolvimento do cérebro. “Meu papel nessa pesquisa vai desde formular as hipóteses, ajudar a organizar a distribuição de tarefas e experimentos, realizar experimentos, principalmente de microscopia e análises quantitativas, levantamento de bibliografia, até a escrita e revisão dos trabalhos, pedidos de financiamento e divulgação”, explica.

Rodrigo foi convidado para ministrar aulas do módulo da pós-graduação em Microbiologia, na área de Biologia Celular, da Funorte. Segundo ele: “os alunos podem esperar uma abordagem tanto conceitual quanto aplicada de tecnologias envolvendo células tronco, células reprogramadas, screening de drogas, cultivo de células 3D como minicérebros e neuroesferas, além de muita discussão técnica e ética sobre a aplicação dessas tecnologias”.

Em abril de 2016, foi publicado pela Science, um estudo 100% “made in Brazil”, por pesquisadores da UFRJ e do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) que mostrou a correlação direta entre a infecção pelo vírus Zika e a microcefalia em modelos de cultivo celular tridimensional como também impressão digital molecular dessa infecção em células neurais Zika virus impairs growth in human neurospheres and brain organoids. Rodrigo Madeiro fez parte desse grupo de pesquisadores.

Para o professor Max Alencar: “apesar de existirem muitos pesquisadores brasileiros qualificados como o Rodrigo Madeiro, ainda é preciso sensibilizar autoridades e a opinião pública para atrair investimentos. Hoje, mesmo contando com recursos escassos, nossos cientistas conseguem desenvolver trabalhos importantes, reconhecidos no exterior. Não é algo frequente ver o nome de cientistas ou instituições brasileiras em destaque nas revistas de maior impacto científico do mundo, como Science e Nature.

Na maioria dos casos, eles aparecem como coadjuvantes de algum trabalho multicêntrico internacional — o que não é nenhum desmérito; pelo contrário, visto que essas colaborações são absolutamente essenciais para a evolução da ciência nacional. Mais raro é ver algum trabalho nessas revistas em que o autor principal é um brasileiro. E mais raro ainda é encontrar um trabalho feito 100% no Brasil. No entanto, em 2015 e 2016 tivemos estudos na área da neurociência 100% “made in Brazil” publicados em uma das mais importantes revistas científicas do mundo – a Revista Science”, completa.

Ele também comentou sobre o programa Ciências sem fronteiras. “Não fiz parte do CSF, mas fiz meu pós-doutorado nos EUA, na Universidade da Califórnia San Diego (UCSD) com bolsa da CAPES. Fiquei um ano e meio trabalhando em um projeto que envolvia diferenciação neural humana. A criação de programas que viabilizam o treinamento e especialização de alunos e profissionais fora do país é de extrema importância para o desenvolvimento científico de um país”.

Rodrigo explicou como é seguir a carreira científica, principalmente na sua linha de pesquisa. “A carreira de pesquisador é fascinante, te coloca em contato com o que há de mais novo na fronteira do conhecimento, te mantém ativo intelectualmente e te coloca em contato com pessoas muito interessantes. Pode te proporcionar momentos de pura alegria, mas também exige grande capacidade de resiliência. A caminhada não é fácil, não tem glamour, não tem horário certo, não tem boa remuneração e não é reconhecida pela população como algo útil e fundamental. Poucas pessoas conseguem suportar a pressão dos orientadores, das agências de fomento, dos revisores dos artigos, da família e da sociedade. É um trabalho muito difícil, entretanto, no segundo em que você percebe que seu experimento deu certo, que sua hipótese estava correta e que você é a primeira pessoa nesse planeta a observar aquele fenômeno, há uma indescritível sensação de realização e conquista”.

Anna Louisa Narciso

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