Historicamente, o capitalismo junto à força de trabalho e as formas de trabalho evoluíram com o tempo, inicialmente, era um trabalho artesanal, pouco produtivo e caro, com o advento da inovação industrial e a primeira maquinização, os bens começaram a serem produzidos em massa, diminuindo o preço e permitindo o acesso maciço de bens, com isso, o trabalho mudou, tornou mais coletivo, mais dividido em tarefas e surgiram as metas e as divisões por setores, ou seja, agora o trabalhador controlava um setor e tinha de reportar sua ação a um superior que verificava a produtividade, e induzia ao cumprimento de metas. Isso atingiu o auge no modelo Fordista-Taylorista, em que o gênio da indústria mundial, em sua indústria de carros, aplicou e melhorou a conhecida cadeia de produção, tão criticada pelos movimentos trabalhistas na época, o tempo passou; duas guerras mundiais destruíram a Europa, a URSS surgiu,e o mundo industrial perdeu mão de obra masculina, abrindo o mercado para a feminina e tendo de aumentar ainda mais a eficiência.

Nesse contexto, mais especificamente, a guerra da Coréia, um país conhecido como império do Japão, ainda fortemente arrasado pela segunda guerra, criou um novo modelo de produção para suprir as necessidades militares do seu novo aliados, os EUA, criando um modelo, chamado Toyostismo, ironicamente,outra montadora, esse modelo era bem diferente do fordista, em vez de uma estrutura burocrática e rígida fortemente agarrada a normas e horários, esse modelo propunha em vez da produção maciça, uma produção mais controlada, adequada a demanda, dessa forma se economizaria matérias primas- algo perfeito à um pais como o Japão naquele momento- e principalmente, em armazenagem e transporte delas, ademais, a produção seria diversificada, já que a demanda dos produtos é relativa, não produzirão só carros, e sim, carros, motos, barcos, componentes elétricos, peças, entre várias opções.

Isso somado a metodologia “Kaizen”: que é o hábito de aprimorar as operações de negócios de forma ininterrupta; e a “GenchiGenbutsu”, Vá e veja,que, basicamente,  consiste em analisar as fontes dos processos produtivos e dos problemas de produção para assim elevar a produtividade com o método de maior custo-benefício. Bom, não preciso explicar que se o fordismo era perfeito à segunda revolução industrial, o toyotismo era perfeito à terceira, e logo, superou o velho modelo americano e até causou, indiretamente, o fim da União Soviética, mas isso é assunto para outro artigo.  Esse método moldou o mundo, e lançou as bases para a quarta revolução industrial, que acontece nesse momento e eu e você, fazemos parte dela, a quarta revolução se distanciará ainda mais dos modelos tradicionais e mudará, e já está mudando o mundo corporativo de uma forma que nada se parecerá com a típica visão que os brasileiros têm sobre uma indústria e empresa.

A indústria 4.0, termo cunhado na Feira de Hannover, um dos centros desse fenômeno nasce com a quarta revolução industrial, aquela com os sistemas Cyber-físicos e a dita internet das coisas, basicamente, o principio básico, implica que a indústria deve conectar os sistemas, máquinas e ativos, para criar um rede de produção interligada e eficiente, basicamente, a maquinação tomou uma nova forma, em vez de ser uma máquina a vapor ou energia, é um supercomputador que comanda outras máquinas e uma indústria semiautomática, vemos que boa parte dos ditos trabalhos braçais estão fadados a desaparecer nesse sistema. As empresas vão criar redes inteligentes e é aqui que entra a produtividade, a máquina é a priori muito mais produtiva que um humano, já que não descansa, não tira férias, fica 24 horas ligadas se preciso for, por meio de uma rede de produção de várias máquinas interligadas por meio de uma inteligência central, tem uma eficiência inalcançável para os humanos. Todavia, uma máquina ainda não pode programar essa rede interligada, é no momento algo humano.Entra então a produtividade do novo funcionário humano da indústria 4.0, a sua capacidade de criar arede de valor interligada, sua criatividade, sua habilidade em resolver problemas, não é um mero executor, isso agora é com a máquina, o homem se tornou um ordenador.

A indústria 4.0 é um setor bem complexo e com muito a ser explorado, para evitar um texto enfadonho, por isso, dividiremos essa nova cadeia de produção em uma coletânea de artigos. Essa é a primeira parte.

Gilbert Uriel Braga Fernandes.

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