Eleita pelo Sebrae, a Funorte foi a única instituição do país escolhida para desenvolver projetos empreendedores e de impacto social

 

A Funorte e Fasi, em parceria com o Serviço Brasileiro de apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE realizaram nesta quarta-feira, 27 de julho, no campus JK, em Montes Claros, o encerramento do Projeto de Extensão em Empreendedorismo Social e Negócios de Impacto Social. O evento contou com a apresentação de sete equipes, composta por acadêmicos de diversos cursos, que mostraram os projetos desenvolvidos ao longo de quatro meses para uma banca avaliadora. Todos os alunos receberam certificados e medalhas e as equipes que conquistaram os três primeiros lugares foram premiadas com troféus.

Segundo o coordenador de inovação do Sebrae nacional e presidente da banca avaliadora Krishna Faria, essa foi uma iniciativa do Programa Educação Empreendedora. “Foi feita uma pesquisa em nível nacional em que foram avaliados os temas de maior apelo junto ao ambiente acadêmico e um deles foi o empreendedorismo social. Então, a partir dessa ideia, criamos um curso de extensão de negócios de impacto social e empreendedorismo social justamente para levar esta agenda para o âmbito acadêmico, tanto no nível docente quanto discente”, ele diz e completa: “O resultado na Funorte foi muito positivo e superou as expectativas. Foi possível perceber o nível de engajamento tanto dos professores quanto dos alunos e, também, dos parceiros que se interessaram. Nós estamos muito satisfeitos e com a sensação de dever cumprido a partir dos resultados alcançados”.

O consultor do Sebrae e conteudista do projeto, Thiago Chaves, acredita que este é um projeto audacioso na área de educação empreendedora porque é o primeiro em nível nacional que pensou em levar empreendedorismo social e negócios de impacto social para as universidades de todo o Brasil, começando por Montes Claros. “O que ganhamos, do ponto de vista prático, é fazer com que a instituição possa entrar em contato com a comunidade. Quando eu montei o projeto, junto com a Marina, que é a consultora educacional, nós pensamos que a grande transformação foi justamente criar uma metodologia que pudesse fazer com que os alunos vibrassem com o empreendedorismo social e, ao mesmo tempo, fazer com que a comunidade que está envolvida pudesse ter um retorno com isso. E o grande retorno que a comunidade vai ganhar é justamente os produtos e serviços que venham gerar impacto social nas necessidades da mesma”, ele afirma.

Ainda de acordo com Thiago, além desse ganho, os projetos podem se tornar autossustentáveis, fator que é o grande diferencial dessa metodologia. “Não é um empreendedorismo apenas de ajuda ou de assistencialismo, mas, sim, um empreendedorismo que ultrapassa essa barreira e que fomenta ideias e produtos de negócios que realmente tragam uma sustentabilidade financeira. Este é um grande desafio que nos deixa muito felizes. É gratificante assistir, hoje, a apresentação destes sete modelos de negócios que têm potencial e um grande poder de transformação social nas comunidades aqui de Montes Claros”, diz.

A professora e uma das tutoras do projeto, Fabianna Catarina Coutinho, explica que o programa consistiu em vinte encontros, sendo alguns deles em comunidades carentes de Montes Claros: “As comunidades foram escolhidas pelos alunos, onde os mesmos puderam conhecer a fundo as mazelas, os problemas e as dores dessa comunidade. A partir disso e com base nos relatos dos moradores, eles tinham que elaborar um projeto que solucionasse uma dos problemas apresentados”.

O projeto mudou a vida dos participantes, como é o caso do acadêmico de Psicologia Geraldo Coutinho, que apresentou, junto com a equipe, a empresa “Tô Pronto”, conquistando o 3º lugar. “Nós pretendemos formar uma agência de prestação de serviços gerais. Essa agência vai disponibilizar para toda a cidade de Montes Claros, prestação de serviços de pedreiro, bombeiro hidráulico, encanador, eletricista, dentre outros. Atenderemos em condomínios, repartições públicas, instituições privadas, hospitais e, também, pessoas comuns que precisem destes tipos de serviços em suas residências, de modo seguro, ágil e prático”, ele diz e completa: “A importância do projeto de extensão da Funorte/Sebrae consiste no fato de proporcionar ao acadêmico algo além do ensino formal da grade curricular. O país está passando por uma fase difícil na economia, sendo assim, quanto mais jovens empreenderem, mais valoroso será para o país como um todo”.

Para a estudante do curso de Nutrição Camila Ferreira, de 20 anos, ficar entre os três primeiros colocados foi muito gratificante. “Não tenho nem palavras para descrever o quanto estamos felizes por estar aqui, conquistando o 2º lugar. Foi muito emocionante, pois batalhamos e pesquisamos muito. Até pensei em desistir, mas, hoje, vejo a importância de ter continuado. Nós abraçamos a comunidade do bairro São Geraldo II e planejamos a usina de tratamento de óleo saturado para levar o emponderamento e crescimento à comunidade, além de proporcionar alegria e mais estrutura para o bairro”, diz.

O farmacêutico e diretor de uma rede de drogarias de Montes Claros Luciano Guedes foi um dos convidados da banca e revelou que participar do evento lhe proporcionou um grande aprendizado: “Nós avaliamos os trabalhos, mas aprendemos muito também. Sempre que viajo e vou em busca de novas ideias. Agora, estou vendo que não preciso viajar mais, pois posso vir direto aqui e encontrar muitas ideias fomentadas que são importantes para a empresa e para a sociedade. Achei extremamente interessante e, inclusive, estamos pensando em fazer parceria para dois projetos dos que foram apresentados”, afirma.

Para o professor e tutor do projeto Marco Antônio Canela, esta é uma ideia inovadora e, que, com certeza, se tornará um programa. “Nós tivemos trabalhos extraordinários, todos serão apoiados pela instituição e isso é muito bacana. Houve uma transformação das pessoas, houve uma transformação do grupo e nas relações interpessoais, mas, o principal é que vamos deixar um legado na cidade. Vamos trabalhar com as “dores” das comunidades mais sofridas, vamos criar uma forma para que esses negócios possam mudar a vida das pessoas, mas que também possam mudar a vida de quem está empreendendo”, ele diz.

Segundo o professor, é preciso valorizar esta oportunidade. “Esta é a primeira edição de várias que acontecerão. Temos um papel importante no desenvolvimento de nossa região e tenho certeza de que essa parceria com o Sebrae só veio a engrandecer e abrilhantar ainda mais aquilo que é a nossa missão institucional, que diz que nós temos que formar profissionais capazes de transformar a realidade. Eu tenho certeza que a instituição hoje deu mais um passo nessa direção. Houve um crescimento enorme pela própria característica dos encontros e foi possível perceber que as pessoas aprenderam muito os conceitos e estão capacitadas a desenvolver outros projetos também em qualquer época, em qualquer tempo”.

Um dos organizadores do projeto, o professor Marcos Caldeira comemora: “Concluímos então o 20º encontro do projeto e foi um grande sucesso! Os alunos e professores estão muito satisfeitos com os resultados, os nossos parceiros e convidados também estão encantados com a proposta e agora é dar continuidade ao trabalho. Os sete projetos que foram avaliados já foram encaminhados para a incubadora de empresa, então, os alunos agora se tornaram sócios de negócios de impacto social e não são mais participantes de um projeto, mas sócios!”.

Marcos ainda diz que, a partir de agora, os alunos precisarão de todo o apoio da instituição e das parcerias para transformar esse negócio em realidade. “Estamos todos muito felizes e satisfeitos com os resultados e esperamos que esse projeto sirva de referência e inspiração. Já conversamos com o Sebrae e eles nos informaram que a intenção é perpetuar essa proposta através de novas edições e editais de convocação para que novas turmas sejam formadas e novos projetos sejam desenvolvidos a partir dessa iniciativa”, diz.

A acadêmica do curso de Farmácia Fabiana Vieira, de 18 anos diz que, na verdade, obteve muitos aprendizados através deste projeto. “Como costumamos comentar entre a equipe, nós não sairemos desse projeto da mesma forma que entramos. Nós aprendemos muito a olhar mais o lado das outras pessoas. E, se antes podíamos até ser indiferentes a dor do próximo, hoje em dia, eu garanto que cada um dos que participaram não conseguem mais”, ela diz e finaliza com a seguinte frase: “A mente que se abre a uma nova ideia nunca volta ao seu tamanho normal”.

 

Dos sete projetos apresentados, os três premiados colocados foram:

 

1º lugar: Projeto Facilitar (Qualificação de mão de obra / moradia)

Composto por: Júlio Paim, Stella Braga, Vicente Paulo e Marconi Chaves.

Professor(a) tutor(a): Fabianna Catarina Coutinho

 

2º lugar: Usina de tratamento do óleo saturado (Emprego / reaproveitamento do óleo vegetal)

Composto por: Camila Ferreira, Amanda Marques, Wagner Ribeiro, e Fredson Santana

Professor(a) tutor(a): Marco Antônio Canela

 

3º lugar: Tô pronto (Prestação de serviços)

Equipe composta por: Letícia Bergamo, Sara Trezena, Geraldo Coutinho, Karen Duarte e Thayná Teixeira.

Professor(a) tutor(a):Cássio Dantas

 

Juliana Ribeiro

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