Com o objetivo de debater dados preocupantes da realidade nutricional da população e encontrar caminhos para a promoção da saúde alimentar e qualidade de vida, o Conselho Regional de Nutricionistas de Minas Gerais (CRN9-MG) em parceria com a Funorte e Fasi realiza encontro com profissionais e estudantes de nutrição em Montes Claros e região.

As atividades, que acontecem no dia 27 de agosto, às 08h30, no Auditório do Campus São Norberto – REDE SOEBRAS, à Rua Coronel Joaquim Costa, 491, Centro, Montes Claros, integram a Semana do Nutricionista 2016. A agenda reforça o compromisso dos profissionais de Nutrição com a com a promoção do hábito alimentar saudável e nutritivo diante do contexto alimentar da sociedade brasileira. O Dia do Nutricionista é dia 31 de agosto.

UM ALERTA COLOCADO

O brasileiro come mal quando se refere à qualidade nutricional. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas – IBGE, através da Pesquisa de Orçamento Familiar (P.OF.), o aumento progressivo do consumo de alimentos com alto teor de sal, açúcar e gordura – industrializados, processados e ultra processados. Além destes, no corre corre do dia a dia, somam-se as opções de alimentação não saudável fora do lar.  Dados da Pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico – Vigitel 2015/ Ministério da Saúde apontam estabilização de alguns índices. Porém, há frequência do excesso de peso (aumento de 23% nos últimos nove anos).

A grande questão colocada é que os números configuram um problema de saúde pública. As consequências da má alimentação são o crescimento de doenças como câncer, cardíacas, diabetes, hipertensão, obesidade, dentre outras. Cerca de 70% (setenta por cento) da população faz suas refeições em bares, restaurantes, lanchonetes e nos locais de trabalho e estudo. A realidade pode ser constatada na pesquisa sobre a Análise do Consumo Alimentar Pessoal no Brasil do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).

A radiografia do hábito alimentar, constatada na POF, preocupa ao apontar o crescimento de produtos não saudáveis. Traduzindo, aumentou a ingestão de biscoitos recheados, salgadinhos, pizzas, doces e produtos com alto teor calórico e com insignificantes valores nutricionais. No contraponto, cerca de 90% (noventa por cento) dos brasileiros não consomem frutas, legumes e verduras como orienta o Ministério da Saúde (M.S). Somando-se a ingestão de cálcio, vitamina D e Vitamina E, que tem sido extremamente baixo.

DADOS ALIMENTARES

O IBGE junto com o MS sinaliza que os hábitos dos brasileiros que vivem nas cidades concentram-se em: salgados fritos ou assados (53,5%), pizza (42,1%) e sanduíches/hambúrgueres (41,8%). Ao lado destes dados, outros números preocupantes são os de bebidas em excesso. O consumo de bebidas destiladas (50%) e de bebidas não alcoólicas (47,9%). Já para a população que vive no meio rural, os dados apontam: sorvete (56,3%), pizza (52,6%), salgados fritos e assados (48,4%), bebidas destiladas (26,4%), refrigerantes diet-light (31,5%) e para o regular (36,5%)

Na zona rural, segundo informações do IBGE/MS, há grande consumo de arroz, feijão, batata-doce, mandioca, farinha de mandioca, manga, tangerina, peixes frescos, peixes salgados e carnes salgadas. Porém, nas cidades, os alimentos em alta são os prontos para o consumo e/ou processados como o pão de sal, biscoitos, iogurtes, vitaminas, sanduíches, salgados fritos e assados e pizza. Além destes, os refrigerantes, sucos e cerveja.

As informações acima se somam aos dados recém divulgados pela pesquisa Vigitel – que confirma a necessidade de mudanças nos hábitos alimentares. O consumo de refrigerantes e doces caíram, mas ainda são altos. Pelos índices levantados, 20,8% da população toma refrigerante cinco vezes ou mais na semana, menor que o índice de 2007 (30,9%). O M.S. aponta que os alimentos doces estão na rotina cinco ou mais dias da semana de 18,1% da população, sendo mais presentes nas refeições das mulheres (20,3%) que dos homens (15,8

Em relação à rotina das famílias, do total, 16,2% da população substitui o almoço ou o jantar por lanche sete ou mais vezes na semana. Apesar disso, o feijão continua sendo o prato mais popular do brasileiro, com a preferência de 66% dos entrevistados.

CRIANÇAS E ADOLESCENTES

As informações da pesquisa IBGE-MS fazem um alerta, ou seja, uma em cada três crianças com idade entre 5 e 9 anos estão acima do peso recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e MS. No caso dos adolescentes brasileiros, os índices identificam que, na faixa etária de 10 a 19 anos, houve um salto de 3,7% (1970) para 21,7% (2009) nos casos de sobrepeso e obesidade.

 

O PAPEL DO PROFISSIONAL DE ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO

A mudança de hábito alimentar coloca o desafio para os nutricionistas. A conscientização pública centrada na educação e reeducação nutricional deve ser uma atitude permanente, contribuindo para a qualidade de vida da sociedade. Em relação às crianças e aos adolescentes, os profissionais de nutrição, ligado à alimentação escolar, têm papel fundamental ao desenvolver ações de conscientização pelos hábitos saudáveis junto aos estudantes, pais, trabalhadores da educação e população em geral.

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