Um incêndio de grandes proporções destruiu o Museu Nacional, na Zona Norte do Rio de Janeiro, no último domingo, 02 de setembro. A instituição estava instalada em um palacete imperial e completou 200 anos em junho. Foi fundada por Dom João VI em 1818. Seu acervo, com mais de 20 milhões de itens, tem perfil acadêmico e científico, com coleções focadas em paleontologia, antropologia e etnologia biológica.

A docente em Antropologia da Funorte, mestre em Desenvolvimento Social, Luciana Carvalho, explica que: “no estudo dos povos antigos e suas culturas não é possível para as ciências humanas e sociais que isso se dê em sua integralidade, uma vez que se tratam de fatos e processos já ocorridos, dinâmicos, e, portanto complexos. Através da leitura sobre os elementos representantes de civilizações e sua expressão étnico-cultural, observados como fragmentos dessa determinada realidade, podemos compreender os povos, suas origens e sua evolução. Nesse sentido é que os vestígios são considerados de fundamental importância para que se obtenha um conhecimento que seja o mais próximo possível do objeto investigado”. Ela ainda explica: “dessa forma, o dano ou a perda de um vestígio, sobretudo, no caso em que se trata de um fóssil, no qual há tamanha representatividade e valor científico, cultural, histórico, enfim, humano, em seu sentido mais abrangente, pode significar também a perda de uma valiosa e palpável fonte de investigação, o que compromete o alcance de uma pesquisa, e, ademais, o conhecimento a ser produzido por ela, nessa especificidade, um ‘saber’ sobre ‘nós’ mesmos”.

De acordo com a professora de Filosofia da Funorte e Fasi, Alessandra Almeida: “a perda não foi só cultural, mas, em um contexto muito maior, pois ali havia coisas importantes de todo o mundo, entre elas, por exemplo, o esqueleto mais antigo já encontrado nas Américas, com cerca de 12 mil anos de idade, a Luzia. Os registros e documentos foram outras perdas irreparáveis, e mesmo que tenhamos de forma digitalizada, a história não conseguiria ser processada com a mesma essência, e isso é importante. Desse modo, o fogo não só apagou grande parte desses acervos, como também grande parte da memória e o seu legado”, finaliza.

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