A Motricidade Orofacial é uma das áreas da Fonoaudiologia que estuda a musculatura dos lábios, língua, bochechas e face e as funções a elas relacionadas, como a respiração, sucção, mastigação, deglutição e fala. O profissional atua na prevenção, avaliação, diagnóstico e tratamento de pessoas com comprometimento destas funções e, também, pode atuar no aprimoramento da estética facial.

A docente do curso de Fonoaudiologia Funorte, Cristiane Campos, explica os principais problemas relacionados à Motricidade Orofacial. “As dificuldades de amamentação no seio materno, a síndrome do respirador oral, as dificuldades e ausência da mastigação, as desordens temporo-mandibulares, as deglutições atípicas, adaptadas e as disfagias, os desvios fonéticos com troca, distorção ou ausência de fonemas na fala, bem como as posturas inadequadas de lábio, língua e bochecha”, diz.

Segundo ela, “todas as funções orofaciais se relacionam, pois utilizam praticamente a mesma musculatura durante sua execução. Especificamente sobre a relação alimentação e fala, podemos dizer que ao alimentarmos, seja por sucção e deglutição ou por mastigação e deglutição, movimentamos vários grupos musculares comuns e estimulamos o crescimento e a harmonia da face, o que favorece a postura adequada de todas as estruturas orofaciais e evita alterações dentárias e dificuldades na mobilidade dos lábios e língua muito comuns nos transtornos de fala, por exemplo,” salienta a docente.

A docente também alerta para a respiração via oral que, segundo ela, pode ser uma obstrução nas vias nasais. “O direcionamento constante do ar para a boca gera prejuízo de aeração, desequilíbrio no crescimento músculo esquelético e nas funções orofaciais e auditivas além de prejudicar a oxigenação e as trocas gasosas. Comumente, podemos encontrar nos pacientes respiradores orais, alterações no desenvolvimento e crescimento da maxila e mandíbula, na postura dos lábios, da língua e bochechas, alterações na postura corporal e no crescimento da face, além de dificuldades alimentares e na percepção e memória auditiva, no sono e piora na qualidade de vida de forma geral”, ressalta.

Além de prejudicar o desenvolvimento, retarda a aprendizagem, Cristiane Campos, destaca que, “quando pensamos na importância da respiração e da sua correta realização, também podemos imaginar os efeitos e prejuízos que a respiração oral provoca aos indivíduos. A ocorrência da obstrução crônica das vias aéreas prejudica todo o processo de aprendizagem da leitura e escrita em crianças pré-escolares, que inicia com o déficit de aeração, funcionamento da tuba auditiva, menor percepção e discriminação dos sons, atraso de fala e linguagem, distúrbios do sono, cansaço constante, irritabilidade, dificuldades de memorização e de comportamento e consequentemente prejuízo na aprendizagem”, enfatiza.

Nos últimos anos, esta área da Fonoaudiologia está avançando, pois foi percebida a importância do desenvolvimento adequado da Motricidade Orofacial. A docente comemora o progresso. “Na área da motricidade orofacial, além do aumento de pesquisas científicas, novos recursos tecnológicos têm sido desenvolvidos e adaptados para a prática clínica. Recursos terapêuticos como a eletromiografia, eletroterapia, fototerapia de baixa potência (laser e led), anteriormente utilizados por outros profissionais da saúde, já estão sendo aperfeiçoados e utilizados em motricidade orofacial. Esses avanços contribuem para diagnósticos mais precisos e para tratamentos mais rápidos e objetivos dentro da fonoterapia”, finaliza.

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