Vigente há 30 anos com o objetivo de reforçar as ações nacionais de sensibilização e mobilização da população brasileira para os danos sociais, políticos, econômicos e ambientais causados pelo tabaco, no dia 29 de agostofoi comemorado o Dia Nacional de Combate ao Fumo.

O Ministério da Saúde, alerta que, apesar da redução do número de fumantes, as doenças causadas pelo tabagismo acarretam aproximadamente 200 mil mortes por ano no Brasil. O tabaco é um fator importante no desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis como câncer, problemas pulmonares e cardiovasculares.

A rede pública de saúde oferece medicamentos como adesivos, pastilhas, gomas de mascar (terapia de reposição de nicotina) a quem busca uma saída para se livrar do vício de fumar. Aliando-se a essa campanha, a fisioterapia tem papel fundamental no tratamento de pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica (Enfisema), associado ás medicações de uso contínuo prescritas pelos médicos, o profissional fisioterapeuta ajuda o paciente a ter melhoras no quadro respiratório por meio de exercícios e técnicas.

A fisioterapeuta especialista em fisioterapia cardiorrespiratória pelo Hospital das Clínicas de São Paulo e doutora em clínica médica pela USP, e professora da Fasi, Roseane Caldeira, falou sobre fisioterapia respiratória, que é a área responsável pelo tratamentodas alterações da mecânica respiratória ocasionadas por desordens ósseas como escoliose, alterações reumatológicas como a espondiliteanquilosante, dentre outras doenças crônicas, e completou enfatizando os riscos do tabagismo.

“O tabagismo é um dos maiores fatores de risco para o desenvolvimento de DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica), porém, os sintomas iniciam tardiamente após anos de exposição, geralmente, a faixa etária de 55 a 60 anos. É muito importante salientar que não existe cigarro natural. Todos os cigarros, inclusive o de palha e o mastigar o fumo, podem desencadear a doença. Além do tabaco, o contato com a fumaça da queima do carvão em carvoeiras e a exposição á fogão á lenha, também são fatores de risco da doença”, diz.

“Muitas pessoas jovens fumam e relatam que não sentem nenhum sintoma, porém, o pigarro é o primeiro sintoma da doença. E a dispneia inicialmente acontece aos poucos, porém, quando a doença está avançada os sintomas são acentuados e muitos pacientes não conseguem fazer as atividades de vida diária (tomar banho sozinho, pentear o cabelo) devido à falta de ar intensa. Aqueles que apresentam a doença e realizam a fisioterapia, relatam que se soubesse que poderia ficar dessa forma, muitos dependem de oxigênio 24h/dia, nunca tinham iniciado a fumar. É uma doença triste que não tem cura e é irreversível”, lamentou Roseane Caldeira afirmando que a informação dos malefícios do cigarro é ainda a principal arma para o combate do mesmo.

Não só o cigarro como também, fatores genéticos, podem desencadear problemas respiratórios. Um exemplo é a Fibrose Cística, doença que não possui cura e é diagnosticada por meio do teste do pezinho. Como fisioterapeuta, Roseane explica de que forma os profissionais da área atuam em casos de fibrose: “A fibrose cística é uma doença que acumula grande quantidade de secreção espessa nos pulmões, o que desencadeia muitas internações devido infecções pulmonares, pois, os portadores não conseguem expelir a secreção sozinhos. Portanto, auxiliamos na utilização de técnicas específicas para a retirada da secreção, e assim, evita-se internações oferecendo uma melhora na qualidade de vida dos pacientes”, disse.

Viabilizando atendimentos de qualidade e especializado para portadores de problemas respiratórios, alunos do 9º período de Fisioterapia da Fasi/Funorte, já atuam no Hospital das Clínicas Dr. Mário Ribeiro da Silveira, onde é dado auxilio a pacientes com distúrbios respiratórios crônicos como Fibrose Cística, asma, DPOC e pneumonia associadas a pacientes com alterações neurológicas. Além disso, foram ministradas, em comemoração ao dia nacional do tabagismo e abordagem a fibrose cística, palestras para a população, atentando-se ao diagnóstico precoce, bem como a importância da fisioterapia respiratória na vida dos portadores de doenças respiratórias. A fisioterapeuta Roseane, falou que a conscientização é uma tecla ser pressionada sempre e finalizou: “A divulgação da doença ainda é muito precária. É preciso disseminar nas ESFs (estratégia de saúde da família), nas escolas, em eventos sociais”, disse.

 

Ingrid Neves

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