Alunos do oitavo período do curso de Fonoaudiologia participam do estágio em audiologia educacional, que se resume na prática da reabilitação auditiva de adultos e crianças. Nessa parte do curso, os acadêmicos atendem a comunidade e buscam pacientes junto à população ajudando a desenvolver habilidades auditivas e a linguagem oral.

Esse estágio é supervisionado pela fonoaudióloga e professora da Funorte e Fasi Keilla Bacchi. Ela alerta que é importante diagnosticar precocemente a deficiência auditiva, além da intervenção o mais cedo possível.

A professora diz que atualmente os alunos do 8° período possuem pacientes fixos de Montes Claros e de municípios próximos, como Bocaiúva, Januária, Pirapora, dentre outras. Segundo Keilla, esses pacientes têm deficiência auditiva e usam próteses ou aparelhos, seja ele bilateral indicado (para pacientes com surdez sensorial), ou implante coclear (para quem possui surdez neurossensorial severa ou profunda).

Ela fala sobre o acompanhamento da clínica com crianças que precisam aprender uma nova forma de comunicar. “O trabalho que fazemos com audiologia educacional é direcionando as pessoas que usam aparelhos auditivos. Às vezes usam um de cada lado. Ajudamos no desenvolvimento auditivo e da linguagem, uma fase importante no processo de inclusão social e desempenho comunicativo”, diz a fonoaudióloga.

Para ela, a reabilitação pode entrar em cena antes mesmo da colocação da prótese ou da cirurgia do implante coclear. No caso das crianças, os fonoaudiólogos usam técnicas que levam a criança a desenvolver tanto as habilidades auditivas quanto a linguagem oral através de estímulos como brincadeiras, dinâmicas até o uso das cores. Isso é incansavelmente trabalhado com os acadêmicos para que as crianças percebam que o mundo é sonoro.

A acadêmica Ana Paula diz que é um desafio ensinar os pequenos a detectar, distinguir, reconhecer e compreender os sons. “A conquista do desenvolvimento da audição e da capacidade de se expressar oralmente é certa, porém, gradativa e os pais devem ser parceiros dos fonoterapeutas, participando da terapia e aplicando em casa as técnicas ensinadas na clínica”, afirma acadêmica.

Maria dos Reis Lima, é dona de casa e avó de Richard Prates, com seis anos, e Lucas Prates de nove anos, ambos possuem deficiência auditiva e oral e usam as próteses. Eles são mudos e surdos. É ela quem cuida das crianças. Maria conta que no início eles não gostavam muito de frequentar a clínica, mas agora ficam felizes de ir até a consulta. Para a dona de casa, as fonoaudiólogas são muito pacientes com os pequenos.

“O atendimento aqui é muito bom e a convivência com as pessoas ajudam muito os meus netos a ficarem mais ativos, eles brincam, vão para a escola. Eles têm uma vida como das outras crianças”.

Maria sempre buscou ajudar os netos e, mesmo não sabendo ler e escrever, isso nunca a fez desistir. Foi assim que chegou até a Clínica Escola Amazonas. Ela sente agradecida e diz que não teria condições de pagar pelas consultas dos netos, que já estão em acompanhamentos há um ano. “Eu moro em um sítio no bairro Jardim Liberdade há mais de 50 anos. Eu vivo para cuidar dos meus três netos e meus filhos”, diz emocionada.

Mais informações sobre atendimentos e consultas através do telefone: 2101 -9688.

Gabriele Santos

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