Foi realizado, no dia 06 de agosto, reunião de docentes do curso de Fisioterapia Funorte. No episódio, o professor e psicólogo Dr. Leonardo Augusto Couto Finelli e o coordenador do Centro de Pesquisa (CP) Danilo Wellinton Soares apresentaram palestra de capacitação para o grupo de docentes do curso com o tema “Suicídio entre universitários: sintomas e prevenção”, além da abordagem de estratégias e ações de incentivo à pesquisa e intensificação da metodologia de ensino TDES.

A coordenadora do curso Luciane Vieira, ressaltou um dos objetivos do evento. “Foi uma reunião do ciclo de abertura do segundo semestre de 2018, nos reunimos e achamos importante discutir sobre a pesquisa e o CP e motivarmos os professores e acadêmicos do 1º ao 10º períodos a criarem e publicarem artigos científicos. Outro tema é a discussão do Trabalho Discente Efetivo Sistemático – TDES, que é mais uma ferramenta que a instituição disponibilizou aos professores para que deem aulas diferenciadas. Então, procuramos discutir e pedir relatos de como as atividades estão sendo realizadas para que agreguem conhecimento para o aluno. O grande desafio é trabalhar de forma diferenciada, pois, dentro da sala de aula, temos vários estudantes e cada um tem uma forma de aprender e, dessa maneira diversificada, os colocamos como autores e protagonistas e percebemos que eles ficam mais motivados”, frisou coordenadora.

Além das metodologias de ensino, outro ponto social e importante foi discutido na reunião. Através de palestra de capacitação, foi discutido o tema “Suicídio entre universitários: sintomas e prevenção”. Segundo Luciane, “consideramos importante colocar, também, uma fala do psicólogo Leonardo Finelli para orientar os professores a terem uma visão, em sala de aula, de alunos que, às vezes estejam com alguma característica de tristeza ou isolamento para que possamos encaminhá-los, de forma preventiva, para as áreas que a Faculdade oferece como o curso de Psicologia e o Núcleo de Orientação Psicopedagógica – NOPP, em decorrência do que vem acontecendo no meio universitário de alunos jovens com depressão e alguns até chegam à tentativa de suicídio”, destacou a coordenadora.

Leonardo Finelli ressaltou sobre a ideia e objetivo da capacitação. “Fui convidado pela coordenadora para fazer uma apresentação geral dos aspectos centrais da condição do adoecimento Psi, que leva ao suicídio. Na temática, trouxe alguns dos dados governamentais, em termos de suicídio, em especial entre universitários, demonstrando que, é uma situação que tem se agravado e, se temos visto mais publicamente em televisão e internet, é porque houve um crescimento significativo de 130% no número de casos nos últimos 15 anos. Então, pensando nisso e reconhecendo situações muito próximas de nós, abordei as principais características de um indivíduo que pode apresentar um quadro de depressão, ansiedade ou estresse que pode levá-lo ao suicídio e avancei com aspectos de prevenção e de como detectar estes sintomas, pois nem sempre conseguimos reconhecê-los. Então, trabalhei com os sintomas mais clássicos, assim como sintomas mais atuais, para ilustrar para o grupo docente. A partir do reconhecimento, poderão dar orientações e aproveitar os nossos espaços, como profissionais de saúde, indicando caminhos que o aluno poderá buscar”, destacou o docente.

Ele citou, ainda, a importância de abordar o tema. “Na atualidade, temos visto o crescimento de casos de suicídio e, podem existir diversos fatores associados. Então, não é fácil falarmos que é por desesperança, sofrimento, depressão ou estresse, mas é uma síndrome ou uma endemia multifacetada ou multifatorial que, nesse sentido, existem diversos fatores que levam o indivíduo a avançar para um quadro que pode levar a uma tentativa de autoextermínio. Assim, é importante aprendermos a olhar para estes casos com cautela. É muito comum, em um dos casos que eu abordei na apresentação, que antes da tentativa efetiva, o sujeito que vai caminhar para a tentativa de autoextermínio anuncie isso, seja verbalizando com amigos, pais, colegas, professores ou demonstrando através de atitudes; em que ele muda radicalmente seu padrão de comportamentos, por exemplo, um aluno que tinha um bom desempenho e começa a apresentar um mau rendimento; mudanças em hábitos ou horários de sono, quando ele dorme mais ou menos que o normal; má alimentação, quando come de mais ou de menos; se torna agressivo; irritadiço; apático à recepção dos colegas, à realização das tarefas; apresenta e anuncia, às vezes publicamente, uma vontade de morrer; ou se acha inútil”.

E completou, “então, é preciso observar os sintomas para fazer intervenções, pois temos uma rede muito grande e se eu, pessoalmente ou cada um dos professores, não se sentem à vontade para efetivar ou não tem um conhecimento muito específico para efetivar um apoio direto para estes alunos, por passar um tempo com eles, nos cabe ter esta atenção para apoiá-los. E a partir daí, pensar na rede de serviços que podem acompanhar o aluno, buscá-lo em sala de aula, trabalhar com ele fora do horário de aula em um contra turno e, havendo uma demanda mais específica, realizar o encaminhamento para a Clínica Escola ou outros serviços de saúde. É algo que vale a pena ser discutido. Começamos, hoje, dentro do grupo de professores, mas a ideia é avançarmos com esta discussão, seja por essa iniciativa do curso ou pelo trabalho do NOPP, que é um serviço que sempre existiu na instituição, mas muitos alunos desconhecem. Então, temos que fazer circular esta informação que já é pública, pois, se no passado discutia pouco sobre suicídio, hoje, as mídias alternativas, principalmente na internet, cria uma grande publicidade sobre o fenômeno, que já é de conhecimento popular. A ideia é não somente saber que existe este conhecimento popular, mas, também, criar instrução sobre ele”, finalizou o psicólogo.

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