Docente e coordenadora do curso de Farmácia da Funorte, Cleia Prado foi homenageada com a Comenda Mérito Farmacêutico, que segundo a mesma representa a maior honraria concedida ao profissional da área. ”Representei o estado de Minas Gerais e pela primeira vez uma farmacêutica do sertão norte mineiro recebeu esta premiação. Sinto-me feliz e honrada”, diz.

O interesse pela profissão surgiu logo na infância, seguindo os passos do próprio pai. “Ele trabalhou por 50 anos no município de Francisco Sá cuidando da saúde da população. Ele sempre foi muito admirado pelos seus conhecimentos técnicos e sua capacidade de acolher e responsabilizar por todas as situações nas quais era procurado. Atendia a todos sem distinção e com muito profissionalismo. Eu cresci vivenciando isto e, desde então, nunca mais a farmácia afastou de mim e eu dela”, afirmou.

Cleia recebeu o prêmio no dia 27 de janeiro, em Brasília, Distrito Federal. Segundo ela, esta é uma homenagem para o Norte de Minas, além disso, representa caminhos que podem levar qualidade nos serviços farmacêuticos que são prestados na região. ”Sem dúvida a comenda nos enche de alegria associada a responsabilidade do  trabalho feito e o que iremos realizar daqui para frente. Acredito que os acadêmicos vão me ver como exemplo, sobretudo, a minha persistência pela pelo fortalecimento da nossa profissão. E fica o exemplo que os profissionais daqui também são reconhecidos e que a justificativa de que estamos no interior e que não temos oportunidades valiosas não se aplica”, explica.

Entretanto o caminho até conseguir este objetivo não foi tão simples. A coordenadora acredita que este resultado foi fruto de uma construção diária que envolve fatores diversos que vão desde o conhecimento técnico, atitudes até valores éticos e morais. ”A minha trajetória tem como pilar o grande sentido da vida humana, das pessoas que cuidamos, principalmente de participar quase sempre em períodos difíceis, como por exemplo, em casos de doenças. O reconhecimento, como diria Guimarães Rosa: “é caldeirão de muitos, onde muitos mexem , acrescentam temperos e realizamos juntos”. Nenhum profissional faz seu caminho isoladamente e as conquistas são coletivas.

A docente teve um cuidado especial até para escolher a roupa que usaria no evento. “Simbolicamente optei por ir vestida na cerimônia com estampa de flores para representar que embora árido o sertão norte mineiro é fértil. Nós sertanejos convivemos com a dor, mas é a dor nos ensina a ter uma alma que canta e faz poesia. Sempre acreditei na profissão e é assim com muito amor que venho exercendo-a ,cuidando de quem precisa de mim e ensinando, sobretudo, as minhas experiências”, concluiu.

Gabriel Mota

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