Fé na vida

 

O ato falho do jogador Gerrard Piquét (zagueiro do Barcelona, mais conhecido como o namorado de Shakira), em plena Eurocopa (enquanto tocava o hino nacional da Espanha), incorporou e sinalizou o desejo de todos da Catalunha de se divorciarem da Espanha, assim como toda a Escócia que quer porque quer sua independência, além da Irlanda do Norte e outros estados e democracias que defendem o corte definitivo com o País de origem.

Como na política (integrar ou desintegrar), na administração (terceirizar ou não), na política externa (Mercosul ou Alca), na interna (“Fica Temer” ou “Volta Dilma”), na economia (juros estratosféricos ou não), nos relacionamentos (casa ou separa), na informática (incluídos e excluídos), no jargão de futebol (“técnico tá prestigiado” ou não), no amor (carinho ou agressões), na carreira profissional (mantém ou ousa mudar), o que se vê são polarizações extremas de um fato, de um cenário, de opinião, de estratégia, de comportamentos.

A natureza, embora bipolar, foi muito bem concebida, e repleta de artifícios, fenômenos e jornadas altamente bipolares como céu e terra, desertos e oceanos, dia e noite, inverno e verão, sol e lua, enchentes e secas prolongadas, porém planejadas carinhosa, serena e inteligentemente em ciclos que se renovam seja a cada 24 horas, a cada nove meses, ou a 365 dias de cada ano.

Em suma, nascemos num mundo sobre a égide da bipolaridade e crescemos através justamente da resiliência que cultivarmos para decifrar, compreender e tirar proveito desses ciclos intermináveis.

O mesmo pode se dizer dos seres humanos que são uma extensão master de tudo o que existe, sendo, portanto, portadores do mesmo distúrbio (em graus variáveis), seja através do humor, da mania, da intolerância, da crueldade, da dúvida, do medo, do desempenho, da euforia, da tristeza, da ansiedade.

O que existe de novo, de atual e de ruim, é que esta polaridade natural está se tornando desequilibrada, está sendo acirrada, provocando desastres e crises, que nada têm de serena e regularidade intermitente.

As evidências estão a todo lugar e a toda hora, senão vejamos:

– Nos EUA, um lunático como o Donald Trump é alçado candidato à Presidência, e, se for eleito, promete construir um muro entre eles e os mexicanos, o que é um absurdo. Quando estivemos no México, o que mais observamos é a obsessão que aquele povo tem com a América, pois apesar de criticar seus vizinhos o tempo todo, há forte ligação entre ambos os países e povos, tamanha a História de um se entrelaçando com a do outro.

– A Grã Bretanha já decidiu abandonar o “Bloco Europeu”, o que é outra indicação para contextualizar essa análise que estamos dividindo com você, leitor amigo.

Esses novos “muros virtuais” terão consequências que nenhum especialista ousaria prever com sucesso. O que certamente virá é mais desemprego, menos imigrantes, mais isolamento, menos integração, mais hostilidade em todos os sentidos.

Em nível pessoal e comportamental é o aumento das discriminações (raciais, políticas e de gênero), aumento da violência (especialmente contra as mulheres), estresse e competição acirrada no ambiente profissional, vulnerabilidade maior quanto à saúde física e mental, que gera desânimo, descrença, depressão, podendo até a evoluir para um caso mais grave de um esgotamento nervoso e emocional.

É preciso sim estar antenado para essas mudanças e transformações que aparentemente caem de paraquedas sobre nós como um raio inesperado.

O que queremos afirmar é que pelo seu histórico, e principalmente pelo comportamento atual, você pode estar contribuindo e muito para que a centelha do desemprego caia justamente em você.

Infeliz ou felizmente o mundo está mudando exponencialmente. É a hora e a vez dos drones, do Whatsapp, da Netflix, da Internet, da eliminação de agências e intermediários, fazer diferente, de outro jeito, com outras ferramentas.

A boa notícia é que você mesmo pode evitar sua iminente demissão (embora saibamos o quanto é dolorido sair de nossa zona de conforto) através de mudanças de atitude, ser mais próativo, aprender com os erros, assumir o controle de sua vida, parar de querer achar um culpado, parar de procrastinar decisões, voltar a estudar, a pensar, a ousar…

Lembrar que nascemos cheios de vitalidade, curiosidade, atividade e desejos, que aos poucos fomos solapando, sequestrando, abdicando e soterrando em nossas mentes e corações, e que precisam ser resgatados.

No mais, é manter a autoestima e não andar para trás, como disse Dory pro Nemo: “Continue a nadar”, e parafraseando o “tremendão” Erasmo Carlos optar por manter a “fé na vida, fé no homem e fé no que virá”.

 

Leila Silveira – Psicóloga, Coordenadora do curso de Psicologia Funorte e Diretora da TransformaSH Ltda
Délcio Fortes – Engenheiro, Professor universitário e  Consultor/sócio da TransformaSH Ltda

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