Outubro rosa

Os depoimentos emocionados, as fotos contundentes, as exposições nas diferentes mídias, as declarações corajosas, só mostram o quanto avançamos neste assunto, que décadas atrás ainda era um tabu quase intransponível…

Os mais antigos devem se lembrar que há algum tempo não se podia falar nem no nome da doença, em si já considerada uma sentença de morte, e que definitivamente condenava o paciente a um solitário e angustiante sofrimento, sem esperança e possibilidade de cura.

O que temos visto atualmente é uma reviravolta positiva neste doloroso tema, graças aos inequívocos avanços da ciência, à conscientização das pessoas e sociedade em geral, e especialmente graças à coragem de algumas mulheres guerreiras que não só decidiram enfrentar de frente o problema, como assumiram uma atitude de se colocar inteiras e verdadeiras diante do chocante diagnóstico.

Mais uma vez percebemos como em situações críticas a verdade liberta!

É claro que ao saber-se acometida de um câncer, qualquer pessoa se sente arrasada… Imagine um câncer na mama, o maior símbolo da feminilidade da mulher, o mais sagrado ícone de sua condição materna… É apavorante, é como se um trator estivesse passando por cima…

Pessoas frágeis, mal resolvidas, com auto-estima baixa, preconceituosas, desinformadas são alvos mais perigosos desta doença silenciosa, pois se sentem sem forças para reagir, sem estímulo para retomar suas vidas, sem esperança para lutar por elas…

Hoje, se detectado precocemente, o câncer tem cura, especialmente o câncer de mama…

A retirada de um seio se for necessário não significa o fim da linha…

A mastectomia não significa que a mulher deixou de ser a mesma…

A vida continua bonita, bela, cheia de oportunidade, com talvez mais janelas de afeto, de amor e sensibilidade a serem descobertas…

É claro que o mal é mal, e isto ninguém discute!

O ideal, portanto, é a prevenção, a única forma de evitar que o mal nos acometa, e por isto a grande contribuição de campanhas como a do “Outubro rosa” no mundo inteiro e particularmente no Brasil, onde iniciativas como esta sempre encontram coro, acolhimento e apoio neste povo solidário e maravilhoso que somos…

Mas se não foi possível detectá-lo a tempo, paciência…

Temos primeiro que entender que nada é por acaso… Talvez exista alguma razão para que você deva vivenciar tal experiência, tal aprendizado, tal desafio… E você poderá sair fortalecida, vencedora de tal episódio, se tornando um modelo, um exemplo, uma pessoa melhor e referencia para outras mulheres…

Outro aspecto é que o universo sempre conspira a seu favor… Não é porque algo deu errado que você está irremediavelmente perdida ou condenada à morte… Procure o tratamento, faça os procedimentos, tenha fé e tudo se resolverá a contento… Ninguém recebe uma carga que não pode carregar…

Outra decisão difícil e que envolve mais que questões estéticas é a de reconstruir ou não a mama após sua remoção… Já existem mulheres que preferem não realizar tal procedimento… A decisão é individual e deve ser respeitada… Se seu parceiro ou namorado não te aceita por este detalhe é porque ele realmente não te ama, não te aceita como você realmente é, e não merece ser correspondido… É melhor deixá-lo ir e abrir espaço dentro de sua vida para entrar outra pessoa que lhe enxergará de maneira integral, valorizando sua historia de vida.

As pessoas que enfrentaram com cabeça erguida, com dignidade e firmeza esta doença, sempre surgem e renascem renovadas, mais determinadas, mais bonitas e mais seguras de si…

O segredo é não esconder o que está te acometendo…

O segredo é sempre optar pela verdade e a esperança como seu alimento diário.

Cuide bem de você!

Leila Silveira | Psicóloga, Coordenadora do curso de Psicologia Funorte e Diretora da TransformaSH Ltda
Délcio Fortes | Engenheiro, Professor universitário e Consultor/sócio da TransformaSH Ltda

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