A lógica do paradoxo

O ser humano preza e ama a liberdade, como seu maior atributo, como sua maior conquista, como seu maior anelo.

Os grandes revolucionários, os grandes artistas, os grandes empreendedores, só conseguiram evoluir em seus intuitos, e produzir grandes resultados, ao apoderarem-se de suas asas, e mergulharem num “voo-livre-sem-destino”, guiados apenas pelo sabor dos ventos e do prazer, soltando as amarras da imaginação, vencendo o medo que nos intimida do desconhecido.

Enquanto jovem, sonhador e inventivo Henry Ford surpreendeu a América e o mundo ao se propor, e deixar-se fabricar “um automóvel para multidões, grande o bastante para uma família, mas pequeno o suficiente para caber no orçamento de um americano médio!”

Foi com esta visão que nas primeiras décadas do século passado, produziu centenas de milhares do revolucionário Ford – T, e tornando a sua Ford Motor Company a principal montadora dos Estados Unidos e todo o mundo!

Da mesma forma que acumulou riquezas, apegou-se a padrões rígidos e conservadores, impedindo a inovação em seus negócios e projetos, tornou-se um empresário inseguro e refratário quase levando à falência, no final de carreira, a empresa que genialmente criara, e magistralmente desenvolvera enquanto “possesso” do espírito livre e criador que infelizmente deixou de cultivar na maturidade!

A emblemática história de Henry Ford, longe de ser uma lenda da história, não só é verdadeira quanto acontece mais comumente que pensamos, com seres comuns, mortais como nós, no cotidiano da vida, da política, dos negócios, das artes, do poder.

Mas qual (quais) a(s) explicação (ões) para tamanha mudança? Por que as pessoas criativas, rebeldes, inovadoras, inteligentes, se tornam reféns de armadilhas tão sufocantes, justamente após ter atingido o sucesso, ter conquistado o poder, ter realizado o grande sonho de suas vidas…?

Além da perda da autoestima, o que as torna indecisões temerosas e até cruéis, existe a tendência natural do ser humano de tornar-se mais conservador à medida que envelhece.  Inovar implica em mudanças constantes, e nem sempre é fácil lidar com a incerteza.

Mas em minha opinião a principal componente que “envenena“ qualquer carreira triunfante e luminosa é o medo de perder o que já se conseguiu!

Chefes, líderes, comandantes que começam a temer ajudar seus comandados, subordinados e seguidores, iniciam em vida o próprio ritual do futuro velório, jogando a cada gesto autoritário e arbitrário uma pá de cal naquilo que tão magistralmente construiu no passado.

Diminuir, rebaixar, ofuscar, humilhar, segregar pessoas com “medo-de-perder-o-lugar” é um ardil fatal, pois para puxar as pessoas para baixo, é preciso se rebaixar também!

Em compensação, quando você motiva e incentiva as pessoas, quando mais dispensável você se torna mais indispensável você fica, na medida em que, você fortalece os próximos, ajuda o grupo a crescer continuamente, e garantir um sucesso cada vez mais sustentável para sua organização!

 

Leila Silveira | Psicóloga, Coordenadora do curso de Psicologia Funorte e Diretora da TransformaSH Ltda
Délcio Fortes | Engenheiro, Professor universitário e  Consultor/sócio da TransformaSH Ltda

 

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