Esperança e fé

Esperança implica em expectativa, vem do ato de esperar, do latim vulgar sperantia. Esperança pode ter um nome, pode ser tangível, pode ser tipificada.

Fé vem de uma crença espiritual, envolvendo o credo, do latim fides. Fé é algo espiritual, intangível, sem necessidade de explicação, nem justificativas.

Essas duas virtudes mais a caridade são as pedras basilares espirituais e que servem de contraponto para as quatro virtudes cardinais do ser e agir humanos, no nosso dia a dia.

Prudência (do latim “sapientia”) se ancora nos fatos e dados, que de forma objetiva julga-os com sabedoria.

Justiça, fortaleza e temperança são as demais virtudes humanas, que envolvem constância, firmeza, modera a vontade e os instintos proporcionando o necessário equilíbrio no uso dos bens criados.

Este não é texto religioso, nem é nossa intenção abordá-lo em base de crenças, rituais e doutrinas espirituais.

Quer queiram ou não, nós, mortais, por mais riqueza que temos, por mais felizes que transparecemos, por mais poder que detenhamos, por mais famosos que sejamos, por mais puritamos que sejamos, pelo menos uma vez na vida seremos atropelados por situações, acontecimentos, fatos, perdas, temores, teimosia, fraquezas, desmotivações, tristezas, solidão, sofrimentos, injustiças, fúria e letargia.

A esperança é uma coisa mais aberta, mais leve, mais sem cobrança, além de não ser eventualmente supersticiosa, preconceituosa e excludente.

O indivíduo mais esperançoso leva a vida (“apanhando, sofrendo,desafiando, caindo e se levantando”) de forma mais equilibrada o que torna seus discursos (amigos, head hunters, chefes e subordinados) mais aprazíveis e includentes, demonstrando possuir mais carisma, mais popularidade, liderança e disponibilidade, abertura e humanidade.

Já aqueles totalmente comprometidos só com a fé, simplesmente não irão fazer mais nada, além de rezar e pedir seus santos e entidades espirituais nas quais confiam plenamente, para que os protejam e abram seus caminhos para novas conquistas e oportunidades.

O ideal é fundir as duas vertentes com a esperança no comando, rasgando com sua lanterna os escuros caminhos rumo ao autoconhecimento e à proatividade, com a prudência e temperança necessárias, mas ir em frente, agir, sem deixar-se cair no choro e ranger de dentes, ou seja, “continuando a nadar, mas com os olhos bem abertos”.

Todas essas questões transcendem o mundo material onde vivemos, trabalhamos, amamos, e construímos, aparentemente sem a fina sintonia com as virtudes apresentadas.

Enquanto as coisas estão indo razoavelmente bem, ficamos tranquilos até ao ponto de desprezá-las ou de nos acharmos imunes aos problemas que nos cercam e atingem pessoas ao nosso redor.

A tragédia ocorre quando “do nada” aparece um sintoma, uma dor, um sofrimento, uma inquietude permanente, quando as contas começam a não ser pagas como de costume, quando o salário não chega ao fim do mês, quando uma doença nos pega de surpresa, quando sentimos que nossa magia, nossa “varinha de condão”, já não possuem o mesmo poder.

Aí é “um Deus nos acuda”, rumores de demissão, todo mundo na defensiva, todos muito quietinhos nas suas tocas até o tsunami passar.

Acontece que este tsunami não vai passar tão cedo assim, aliás, ele veio realmente para desconstruir todas as “panelinhas”, toda a conspiração existente, tirando todos de sua zona de conforto, que escondia toda a sorte de desperdício, de mal feitos crônicos, desfazendo os grupinhos que se julgavam acima da cumeeira.

É como um rio caudaloso que, na sua grande vazão e profundidade, “encobria” todas as ingerências, todos os insucessos, toda a negatividade e parcialidade.

Desconstruir começa por realmente enxergar com o nível do rio mais baixo, descobrindo todas as pontas dos icebergs de maus relacionamentos, de pouco comprometimento, de esconder os malfeitos, de mostrar o enorme estoque de material parado, de maquiar um tipo de gestão ultrapassado e decadente.

A boa notícia é que você, que se sentia tolhido pela chefia (sistema), agora vai poder falar e opinar sobre os problemas internos de sua área de trabalho. Ninguém vai poder cercear a fala de ninguém, ninguém vai querer lançar a primeira pedra, todos vão ter que remar para mesmo lado, e os resultados obtidos serão comentados e julgados por todos os funcionários.

Acreditamos que o comprometimento com uma causa ou resultado só ocorre com a adesão do “chão de fábrica”, para poder começar a girar a roda gigante no sentido certo, e só alcançaremos o tão esperado lucro se todas as pessoas estiverem puxando a roda para novos e novos giros, sem freios, sem vigilância, sem fanatismo, sem burocracia e muita, muita disciplina, transparência, simplicidade e criatividade.

Em síntese: Fé sem esperança fica muito distante, passional, por vezes muito sectária e pouco confiável. Esperança sem fé fica algo vulnerável, utópico, um caminho que pode ser longo demais.

Esperança e fé é a dupla invencível, é “a certeza daquilo que esperamos”.

Cuide bem de você!

 

Leila Silveira | Psicóloga, Coordenadora do curso de Psicologia Funorte e Diretora da TransformaSH Ltda

Délcio Fortes | Engenheiro, Professor universitário e  Consultor/sócio da TransformaSH Ltda

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