Devagar, de mansinho, ela chegou para ficar…

A chamada “coworker” ou num tupiniquim politicamente correto, o trabalho compartilhado ou simplesmente “compartilhamento” é a tendência mundial que invade as relações empresariais, de serviço, de entretenimento, passando desde os escritórios compartilhados até à gastronomia diversificada , onde “chefs” de plantão se sucedem em espaços públicos revezando suas iguarias e exibindo seus talentos…

Ninguém hoje com um mínimo de consciência duvida que chegamos  a um limite de nossa ocupação terrestre…

Nosso pequeno, frágil e belo  planeta, outrora um imenso  paraíso inexplorado, dá mais do que plenos sinais de esgotamento e exaustão, enviando-nos sonoros e catastróficos alertas, que vão de grandes terremotos, tsunamis, degelos polares, secas prolongadas, inundações, desertificações, crise hídrica, crise energética,  erupções vulcânicas, tremores, tornados, poluição, aquecimento global, efeito estufa , entre outros tantos males e consequências que são temas cada vez mais frequentes nos encontros de cúpula dos governantes mais poderosos do mundo…

O paradoxo neste como em outros temas relevantes aquece as discussões, acirra posicionamentos políticos e diplomáticos, dividindo o planeta…

Os países mais ricos, que no passado não fizeram a lição de casa, desmatando, poluindo, desperdiçando, sentem agora a necessidade de não só mudar de hábitos,  como de “controlar” os países emergentes que ainda insistem no mesmo modelo ultrapassado de desenvolvimento, outrora  utilizado  pelo chamado 1º mundo…

De qualquer modo é de lá que emergem estas novas abordagens e  comportamentos,  que com pouco ou nenhum atraso acabam desembarcando em nossos lares , uma vez que  a comunicação globalizada, a mídia “on line”, a Internet e redes sociais se incubem de divulgar o que há de novo em cada canto deste  exposto e desgastado planeta, transformado num grande “big brother” transcontinental em contagem regressiva de implosão…

Particularmente no Brasil onde a crise pegou de jeito todas as camadas da população, que fazem de tudo para não perder o espaço e status conquistado nos anos de prosperidade e gastança, nunca foi tão útil e atual este novo conceito de empreender, de fazer negócio, de criar, de desenvolver, de crescer, de tocar o barco da vida…

Compartilhar serve desde dividir o aluguel da sala, do escritório, do consultório, fatiar a conta de luz, água, condomínio, telefone e Internet, como para desfrutar de recursos comuns como boys e secretárias, e ir além inovando  em parcerias onde cada um fica responsável pela  atividade na qual é mais competitivo e especializado, invadindo também espaços e hábitos cotidianos  como transporte , habitação, decoração, saúde, beleza   e alimentação.

Com a metropolização cada vez maior das cidades e a industrialização do campo, mais pessoas adentram os centros urbanos, ocupando espaços outrora livres, criando comunidades e favelas sem saneamento básico, reduzindo os espaços de laser, áreas de condomínio, vagas de garagem, locais de estacionamento, aumentando o fluxo de veículos particulares e de transporte público, tornando mais caótico e violento o transito nas nossas nervosas cidades…

Crises como a recente de água, ajudam a população a desenvolver bons hábitos de consumo sustentável e eliminação de desperdício, educando a população e aumentando seu espírito crítico, que acabam por serem incorporados ao  seu cotidiano, mesmo após passado o período de escassez… Assim,  ninguém hoje vê mais com bons olhos alguém  “varrendo” a calçada com a mangueira de água aberta…

O surgimento da alternativa cada vez difundida  de se trabalhar “em casa” pelo menos parte da jornada, abre também mais um outro caminho para o compartilhamento de espaços , já que na residência existem algumas dificuldades para se exercer o trabalho profissional de forma disciplinada  e produtiva.

Estará cada vez mais em alta o condomínio de empresas especialmente se complementares de uma mesma cadeia produtiva, a carona solidária, feiras de todos os tipos e segmentos, e a chamada “coopetição” , onde várias lojas ou prestadores de serviço se reúnem no mesmo espaço para atender um público comum…

Nestes tempos de desemprego e procura por trabalho  chamou-nos a atenção a iniciativa da “Mangueira” no Rio  de abrigar na sua quadra várias empresas de recrutamento e seleção para atendimento a um publico carente, que de outra maneira não teria como se candidatar em tantas oportunidades  por razões óbvias… Ganha  o trabalhador e ganham as empresas!

Creio que em breve outros conceitos irão se estabelecer e futuramente ninguém mais se sentirá à  vontade dirigindo uma pesada caminhonete ou um luxuoso  SUV solitariamente, sem carga, sem acompanhante, sem carona, num centro urbano… Mesmo porque estes enormes veículos para transporte citados irão gradativamente cair de moda, dando lugar a compactos e minicarros conforme já ocorre na maioria dos países europeus…

Vai ser a volta em grande estilo do “small ís beautifull” (o negócio é ser pequeno)  dos idos anos 70/80, numa versão repaginada  e  mais abrangente, não apenas dirigido ao chamado mundo corporativo das organizações, mas a todas as atividades e ocupações profissionais ou domésticas, públicas ou privadas,  cada vez mais entrelaçadas e cada vez mais diversificadas nesta nossa complexa  sociedade pós moderna.

Leila Silveira | Psicóloga, Coordenadora do curso de Psicologia Funorte e Diretora da TransformaSH Ltda
Délcio Fortes | Engenheiro, Professor universitário e  Consultor/sócio da TransformaSH Ltda

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