Em que (quem) você se segura?

A verdade é que não nascemos pessoas inseguras… Os bebês estão aí para nos mostrar o contrário… São autênticos e demandam o que sentem, sem se preocupar com o que pensamos à volta sobre suas reações legítimas…

Esse traço emocional que nos paralisa e aprisiona em cenários e comportamentos limitantes, foi sendo criado e desenvolvido aos poucos por nós mesmos, à medida que começamos a balizar nossas atitudes, nossas posições, nossos conceitos naquilo que acreditamos que a sociedade espera de nós, naquilo que cremos ser a expectativa de nossos pais, amigos, namorados, mestres, sacerdotes, familiares, patrões, colegas de trabalho…

Infelizmente, aprendemos desde cedo a não confiar nos nossos sentimentos, na nossa intuição, preferindo acreditar em modelos impostos, em práticas autoritárias, em ambientes superprotetores, em conceitos tradicionais, em discursos alheios que não refletem nossa verdadeira essência interior, que é o que temos de mais genuíno, mais criativo e mais promissor dentro de nós!

À medida que abro mão dos meus verdadeiros valores e me deixo levar pelos mecanismos e seduções externas, torno-me refém de algo ou alguém que não está sob minha jurisdição, criando as brechas necessárias para plantarmos na nossa mente e no nosso coração as raízes nefastas da insegurança…

Isto acontece sempre que entrego totalmente meu “porto seguro” a uma pessoa que confio muito, a um emprego do qual me orgulho, a um relacionamento que me faz feliz, a uma superstição que tranquiliza meu espírito, a um guru que toma decisões por mim, ou a uma situação ou vivência que me traz conforto e realização material.

Temos que entender que o mundo está em constante expansão e em eterna mudança… Nada é definitivo em nossa vida… Tudo muda o tempo todo…

Assim, colocar nossa felicidade, nossa paz de espírito, nossa esperança, nosso poder em algo externo a nós, em algo que não podemos controlar é insensato e perigoso…

A vida não foi feita para ser mantida ou conservada, e cada um de nós tem uma missão muito especial para realizar neste planeta, desde que sigamos nossas mais profundas e recônditas convicções…

É preciso acreditar no nosso próprio potencial, no nosso discernimento e capacidade de tomar as decisões que forem necessárias a cada momento, sem a preocupação de seguir um padrão supostamente adequado, sem medo de cometer erros ou de fracassar, mesmo porque só errando é que crescemos…

Insegurança é então querer se segurar em algo externo, é conferir poder excessivo a alguém de fora sobre a nossa vida, é abdicarmos daquilo que temos de mais relevante que é a nossa essência, nossa sensibilidade, nossa percepção própria das coisas que é justamente o que nos difere uns dos outros e que pode nos ajudar a fazer a diferença no mundo…

Precisamos enfrentar o medo de sermos criticados, precisamos afastar o receio de não sermos devidamente aceitos por nossa turma, nossa tribo, nosso meio, nossos pares…

Precisamos aprender a ouvir nossos alertas internos, nossos chamados interiores e confiar mais no que sentimos…

Somos parte de um processo evolutivo, seres em construção, seres em melhoria contínua, mas cada um tem sua própria trajetória, estratégia e competências para chegar lá…

O ser humano moderno valoriza muito o pragmatismo, e acredita ilusoriamente que a racionalidade é a única solução para seus problemas e aí cai na armadilha de querer atender expectativas do mundo à sua volta, esquecendo-se de suas verdadeiras necessidades emocionais…

O castigo é a insegurança que cada vez mais se abate sobre nós, gerando pessoas inquietas, cidadãos insatisfeitos, profissionais frustrados, amantes carentes, jovens ansiosos, adultos imaturos…

Passamos a vida a esperar por algo que vai acontecer, ficamos a beira do caminho lamentando o que não deu certo, alimentando a crueldade de nosso ego que nos vende a tentação diária de perfeccionismo, que acaba por nos torturar ainda mais…

Mudar começa por expulsar para longe qualquer resquício de inferioridade que cultivemos e ter a consciência que esta crença só ocorre porque estamos dando muito cacife de graça a outro, em detrimento de nós mesmos…

Comece se perguntando: Em que (quem) eu me seguro?

Essa é a chave para você virar a mesa e pegar de volta seu poder pessoal, natural e intransferível!

Fique livre da insegurança!

Cuide bem de você!

Leila Silveira | Psicóloga, Coordenadora do curso de Psicologia Funorte e Diretora da TransformaSH Ltda
Délcio Fortes | Engenheiro, Professor universitário e Consultor/sócio da TransformaSH Ltda

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