Haja ubbers!

Somos usuários eventuais de serviço de moto taxi, aqui em Moc city…

Não me lembro, porém, de uma única vez, algum dos motoboys que nos atenderam, ter perguntado como queríamos ser conduzidos, se queríamos mais devagar, mais rápido, ou com mais cautela…

Ao contrário, se apressam em nos entregar aquele capacete suado, mal cheiroso, com o cinto de afivelar emperrado ou defeituoso, e se apressam em “levar a mercadoria”, aos solavancos e utilizando de acelerações bruscas que nos fazem quase virar de costas para trás…

Com suas duas mãos firmes no guidão, eles não levam em conta que ficamos vulneráveis, sem onde segurar direito na garupa de um estranho…

Um dia, pedi a um deles que “maneirasse” um pouco, descendo a Rua São Paulo, próximo de onde moro, pois o asfalto ali está todo ondulado e cheio de vales e morros, o que nos fazia sacudir na garupa o tempo todo… O “profissional” não gostou muito do meu pedido… Disse que tinha pressa… Que tinha de faturar!

Irrita profundamente a buzinação que arrumam quando chegam à sua casa… Não parecem dispostos a esperar nem um minuto… Se você não estiver a postos, eles não param de buzinar até você aparecer…

Claro que há belas e honrosas exceções, especialmente entre os profissionais mais maduros e calejados, mas o comportamento geral carece de melhor refinamento e delicadeza com seus clientes…

Mas este tipo de atitude não se restringe apenas aos moto- boys…

Recentemente uma amiga nossa pegou um taxi em BH e próximo ao endereço onde desceria, indicou ao chofer o local mais conveniente onde deveria parar…

Foi surpreendida pela reação áspera do profissional:

“A senhora está querendo me ensinar a dirigir? Eu sei muito bem onde devo parar…”

Lembrei-me, então, que anos atrás alguns choferes de taxi eram muito rudes e grosseiros com os seus passageiros… Pareciam até que estavam fazendo um favor para a gente!

Certa vez reclamei do som alto que um deles usava no carro, onde, de propósito, transferia o som para o alto falante do fundo do carro onde eu me assentava… Tivemos uma discussão desagradável durante a viagem…

Na maioria das vezes não nos ajudam com a bagagem e não auxiliam a acomodação de pessoas idosas nos seus veículos…

Com o advento do Ubber, as coisas estão começando a mudar…

Nada como a boa e velha concorrência…!

Outro dia um motorista de Ubber nos perguntou que tipo de música gostávamos para, segundo ele, sintonizar uma estação de acordo com a nossa preferência… Ficamos boquiabertos!

Está provado que não é o tipo de automóvel, o seu grau de luxo, a sua marca, o maior atrativo às novas modalidades do transporte urbano…

Não é preciso de grandes investimentos para atrair o cliente…

Limpeza, higiene, educação, respeito e cortesia não custam caro!

Em breve, veremos surgir o “ubber das motos”, e aí os motoboys vão chiar, vão protestar, vão reclamar que estão tendo seus empregos solapados…

É sempre assim… A história se repete… Somos incapazes de fazer as leituras do cotidiano e antecipar escolhas que vão nos garantir a sobrevivência e o sucesso dos nossos negócios…

O ser humano prefere sempre aprender com a dor, com o sofrimento, com as perdas…

E assim, como reza a bíblia de Lulu Santos, “caminha a humanidade, a passos de formiga e sem vontade”…

Uma lástima!

Leila Silveira – Psicóloga, Coordenadora do curso de Psicologia Funorte e Diretora da TransformaSH Ltda
Délcio Fortes – Engenheiro, Professor universitário e Consultor/sócio da TransformaSH Ltda

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