O coordenador do curso de pós-graduação em Neuropsicologia, professor do curso de Medicina Funorte e biomédico Maximino Alencar Bezerra Júnior, ministrou palestra no auditório do SENAC, cujo tema foi: “Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade – TDAH e seu impacto: Acadêmico, Social e Afetivo” para estudantes e profissionais da área da saúde e educação além de pais e demais familiares de portadores de TDAH
A palestra teve o objetivo de levar informações atuais sobre o TDAH para acadêmicos e profissionais da área da saúde e educação, tirar dúvidas de pais e familiares de portadores do transtorno, conscientizar a população sobre a importância do diagnóstico precoce, tratamento farmacológico e neuropsicológico, além de derrubar alguns mitos e fake news que são divulgados na internet.
Para Maximino, abordar temáticas como esta é de extrema relevância. “O TDAH ainda é um transtorno mal compreendido. Diagnósticos errados e mau uso de remédios aumentam a desinformação sobre déficit de atenção e hiperatividade. Não é raro que pacientes com o problema tenham que lidar com a desconfiança e o preconceito, em geral frutos da falta de informação sobre o distúrbio e seu tratamento. A maioria dos brasileiros com TDAH não recebe tratamento, menos de 20% dos portadores com o distúrbio são medicados”, fala.
Maximino explica que o tema da palestra está muito próximo ao conjunto de estudos da especialização em Neuropsicologia da Funorte. “O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade – TDAH necessita de acompanhamento neuropsicológico. O neuropsicólogo atua tanto no diagnóstico do TDAH, na identificação de déficits, determinando a sua gravidade e extensão, quanto no planejamento de estratégias de intervenção e reabilitação das alterações cognitivas e comportamentais causadas pelo TDAH quando não tratado e comorbidades relacionadas”, afirma o biomédico que ainda completa: O Norte de Minas têm carência do profissional especialista em neuropsicologia. A Pós-graduação em Neuropsicologia – Funorte vem a contribuir para a formação e inserção desses profissionais em Montes Claros e região norte-mineira”, contextualiza.
O coordenador acredita que muitos aspectos que giram em torno do transtorno ainda precisam ser melhorados. “Existem muitos preconceitos e tabus relacionados ao TDAH. Acredito que o esclarecimento e conscientização da população sobre o transtorno sejam o principal desafio. As crianças com TDAH têm fama de serem mal-educadas, bagunceiras e sem limites”, pondera Maximino que ainda contextualiza: “É comum que estas pessoas sofram bullying na escola e serem excluídas. Há uma desatenção por parte do governo em relação ao tema. Muitos portadores de TDAH não recebem a atenção devida nas redes de ensino. Apesar de não se tratar de um transtorno de aprendizado, ainda vemos índices de reprovação e evasão escolar enormes entre esses alunos. No Brasil, a ausência de uma legislação referente ao TDAH não é desculpa para que as escolas se recusem a oferecer um plano de ensino individualizado. Por isso, caso a escola se recuse a atender essa necessidade, é possível usar a jurisprudência, já que há processos anteriores em que eles foram beneficiados. Há projetos de lei ainda em tramitação na câmara e no senado, mas ainda nada aprovado sobre o TDAH”, conclui.

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