Durante a década de 1970, empresas japonesas começaram a produzir réplicas de armas que disparavam balas plásticas. A produção ocorria para suprir a busca pela arma de fogo, desde a época, proibida no país.

O armamento começou, então, a ser utilizado por colecionadores e indústria cinematográfica. Esta percebeu que os equipamentos poderiam ser aproveitados para simulações de batalhas. A partir disso, surgiu o Airsoft, praticado hoje, em diversos países, inclusive no Brasil. A atividade é individual ou coletiva, com o objetivo de recreação, manutenção do condicionamento físico ou competição.

O Airsoft é regulado no Brasil através da portaria 002-COLOG/2010 e Decreto nº. 3.665/2000. O advogado Philipe Fiúza explica que a legislação pertinente ao esporte ainda é bastante tímida no que refere à regras e condições.

“Não temos uma legislação que verse propriamente sobre o Airsoft, o que seria necessário visto que o esporte carece de ser regulado em alguns aspectos, além de merecer proteção jurídica e incentivo Estatal. Suas regras e condições, muitas vezes, ficam a mercê de interpretação de legislações análogas”, cita o advogado.

Philipe pratica o Airsoft há cerca de um ano e meio. Ele explica que conheceu o esporte por meio de um irmão que, juntamente com amigos, fundou a equipe “Unidade Tática Airsoft Moc” (UTAM), em Montes Claros.

Segundo ele, o interesse pelo esporte surgiu com o objetivo de extravasar e desestressar. “Sendo advogado, durante a semana me deparo com inúmeras situações conflituosas e estressantes, todas inerentes a profissão que escolhi. Ao ser informado que o esporte te proporcionava momentos de adrenalina onde você conseguiria esquecer por alguns minutos os problemas e se concentrar no jogo e na missão, aceitei participar do primeiro game e não parei mais”, cita.

O advogado ressalta, ainda, que para simular as operações militares, combates armados, missões especiais, guerras, entre outros; são utilizadas as armas simuladas (não reais), conhecidas no esporte como marcadores.

“O marcador de Airsoft é bem parecido a uma arma real, alguns marcadores são inclusive fabricados pela mesma indústria que fabrica a arma real, como é o caso da marca H&K (Heckler & Koch), que fabricam a MP5 Sub-Metralhadora, fuzil de assalto G36, etc. Os marcadores de Airsoft, por sua vez, disparam esferas plásticas não letais de 6 mm que alcançam a distância média de 30 a 150 metros, dependendo do modelo e qualidade do marcador”, explica Philipe.

A prática não exige nenhum tipo de preparação, porém, é necessário que os praticantes tenham disposição, já que possui características militares. Philipe ressalta ainda que por conter “diversas modalidades dentro do Airsoft, algumas exigem mais preparo físico e outras menos. Não existe limite de idade máxima para a prática do Airsoft, depende muito da disposição do operador”, frisa.

Apesar de não demandar uma preparação específica, por questão de segurança, os praticantes do esporte utilizam alguns equipamentos de proteção, como óculos tático, calçado, entre outros.

Hugo Guilherme Menezes, estudante de Direito Funorte, além de praticar o esporte, também é um dos fundadores da UTAM. Ele afirma a importância da utilização dos equipamentos de proteção. “Materiais de segurança se tornam indispensáveis para a prática do Airsoft, como os óculos de EPI, vestimenta, além da orientação básica de calçado, roupas e máscara para proteção do rosto, já que a execução do esporte ocorre em campos hostis”, ressalta.

O estudante exerce o esporte há, aproximadamente, dois anos. Ele conta como conheceu e se interessou pelo mesmo. “Conheci o Airsoft através da internet. O interesse surgiu de outro esporte, o paintball, mas como eu buscava algo que se aproximasse mais da realidade, achei o Airsoft. A prática esportiva sempre foi muita aguçada em mim, daí um esporte puxou o outro até eu parar neste”, citou Hugo.

Ele explica, ainda, os procedimentos para adquirir estes equipamentos que asseguram a prática do esporte. “Materiais de proteção podem ser adquiridos em lojas de artigos militares. Porém, quando se trata de marcadores, hoje o mercado brasileiro é relativamente pequeno. Assim, a maioria das lojas são virtuais. A aquisição, via regra, deve ser feita por maiores de 18 anos, com a necessidade de comprovação documental”, cita.

A UTAM foi criada há um ano, quando os fundadores, que praticavam o esporte em outra equipe, decidiram montá-la. “Jogávamos numa outra equipe daqui de Montes Claros. Era uma equipe mais antiga, mas muito fechada e muito controladora, por isso não tínhamos contato com outras equipes ou operadores, o que acabava limitando muito a nossa visão sobre o mundo do Airsoft. Nessa equipe houve um desconforto entre a liderança, o que gerou um desmoronamento de toda a equipe, e como já éramos próximos, decidimos montar a UTAM”, cita Hugo.

Apesar de ser um esporte característico de simulação, o Airsof ainda é visto como uma prática agressiva e, por isto, muitos temem participar dos jogos. Hugo frisa, porém, que o reconhecimento do esporte evoluiu bastante se comparado há alguns anos. “Já contamos com formações de Federações. Contudo ainda estamos distantes do que é almejado pelos praticantes de Airsoft. Aqui em Montes Claros, estamos tentando trazer, na medida do possível, o Poder Público, principalmente a segurança pública para próximo”, cita o estudante.

A UTAM, atualmente, conta com um número de 23 operadores no grupo, além dos recrutas, que são pessoas que desejam se integrar a equipe e, assim, são preparados pelo grupo. “Nossa ideia é de chegar num número próximo de 50 operadores, o que consideramos um número razoável e um número expressivo para a prática do esporte nos campos que temos disponíveis. E temos outro grupo chamado de recrutamento, onde a pessoa que demonstra interesse em jogar é colocado. Contamos hoje com quase 30 recrutas”, afirma Hugo.

Hugo ressalta que, após o período de recrutamento, que dura em média 2 meses, e preenchido os requisitos, o operador é levado à equipe principal. “O operador se une à equipe por meio de uma cerimônia de entrega de pacths (brasão). A partir dali ele se torna um operador oficial da UTAM, sendo necessária a entrega de uma ficha de cadastro mais aprofundada, que são as fichas de operadores”, conclui.

 

Greiciely Rodrigues

 

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