Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil apresenta a maior incidência de casos de depressão entre os países em desenvolvimento. O número de pessoas com um quadro depressivo nos diversos níveis da doença cresce absurdamente. Como a expectativa de vida cresceu no Brasil, as pessoas estão vivendo mais em nosso país, mas, ao que parece, não necessariamente com qualidade de vida.

Há alguns poréns: quem considera que a falta de conhecimento da população em relação às doenças mentais seja um grande entrave para identificar a depressão. Observamos tentativas de popularizar a discussão, mas o que se vê é um desinteresse por parte de algumas instituições, talvez pelo fato de que a depressão em relação a outras patologias não gera lucros à indústria farmacêutica.

A OMS estima que 5,8% da população nacional seja afetada pela depressão, o que em números reais chega a exatamente 12.013.450 da população brasileira – considerando a última estimativa do IBGE sobre habitantes no país. Junto a estes números, encontramos altos índices de suicídios e de mortes associadas à depressão. A organização mostra que o Brasil lidera na América Latina: 9,3% da população com algum tipo de transtorno de ansiedade.

Situação preocupante e digna de mais estudos e, consequentemente, de resoluções. Sabemos que se trata de uma doença impossível de ser diagnosticada por exames laboratoriais/imagem e que não deixa marcas aparentes. Muitas vezes é confundida com tristeza normal. Sendo assim, os sintomas passam despercebidos. Depressão não é tristeza e também não é “falta de Deus”, como algumas religiões querem usar ao seu favor. É uma doença desafiadora, com altíssimas taxas de mortalidade.

A depressão, segundo as estatísticas, é a quarta principal causa de incapacitação em todo o mundo. O que demonstra que se trata de um problema também universal.

Quanto ao Brasil, infelizmente, vemos que temos muito a percorrer. Entendemos a clara necessidade de uma educação nacional que leve melhores informações à população acerca da doença, bem como investimentos em saúde mental e atividades que prezem pela melhor qualidade de vida da população. Só assim deixaremos de tratar essa patologia como tabu ou algo distante da nossa realidade.

Junto à depressão, vêm os casos de suicídios, pois é fato que a depressão pode evoluir para um quadro suicida. Para a OMS, a tendência é de crescimento das mortes por suicídio entre jovens, especialmente nos países em desenvolvimento. É como se fosse um alarme que sempre faz barulho, o que mostra que nossa população esta mais vulnerável à depressão e ao suicídio.

Há uma forte carga de estresse. Fechamo-nos na “ignorância”, valendo-nos dos “achismos” e construções populares tais como: “quem vai ao psicólogo é porque está doido”, “depressão é doença de rico”, “depressão é frescura”, “quem fala em se matar não tem coragem”… E por aí vai a gama de falsos saberes. Por outro lado, existe a necessidade de lidar com o mundo, o que para algumas pessoas pode ser extremamente difícil.

Um estilo de vida estressante, o uso de drogas e de álcool e a insatisfação em diversas áreas são fatores de risco para a doença. É preciso despertar para a realidade, se abrir para o que está de fato acontecendo, com formas saudáveis para viver. Jogar por terra nossos falsos conhecimentos e preconceitos. Procurar um psicólogo deveria ser um caminho para todos, assim como a maioria faz seu check-up médico mensal ou anual, o psicólogo deveria estar nessa lista.

Espero que, com estes dados, você possa despertar para a realidade e procurar ajuda profissional, seja para prevenção ou para tratamento. Não deixe para amanhã o que pode ser cuidado hoje!

Wallace Sousa – Graduando em Psicologia pela Faculdade de Saúde Ibituruna – FASI. Membro da Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental (ABPMC). wallacfs@gmail.com

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